O BCE voltou a subir as taxas de juro em 25 pontos base, com Christine Lagarde a destacar a maior resiliência da economia da zona euro, refletida na revisão em alta do crescimento para 0,9% em 2026 e 1,4% em 2027. No entanto, os riscos inflacionistas continuam a aumentar, com a inflação a atingir 3,3% em agosto, sendo que cerca de 40% desse valor resulta diretamente da componente energética.
O mercado de refinados está cada vez mais apertado, marcado pela escassez de capacidade de refinação, pela diminuição da produção e das exportações de combustíveis refinados da Rússia e do Médio Oriente e por stocks reduzidos. Esta combinação elevou as margens de refinação para níveis historicamente elevados, sobretudo do gasóleo, agravando a subida dos preços dos combustíveis.
Uma segunda vaga do choque energético iniciado em 28 de fevereiro parece já estar em curso. A aproximação do inverno obrigará à reposição de stocks, aumentando a procura de produtos refinados num mercado já muito apertado. Se essa reposição impulsionar ainda mais as margens de refinação e os preços, esta vaga poderá prolongar-se e intensificar a sua transmissão aos restantes preços, impulsionando a inflação e penalizando o crescimento, aumentando o risco de estagflação.
Lagarde evitou comprometer-se com novas subidas, reiterando que as decisões serão tomadas reunião a reunião e em função dos dados. Contudo, o choque energético poderá obrigar o BCE a voltar a subir os juros, mesmo perante uma economia fraca. Na zona euro, a estabilidade dos preços é o objetivo principal do BCE, pelo que uma inflação persistentemente acima de 2% poderá exigir uma política monetária mais restritiva, mesmo quando essa política penaliza a atividade económica.




