Um estudo desenvolvido pela Nova SBE, através do Leadership for Impact Knowledge Center, em colaboração com a Fast Forward Foundation, analisou pela primeira vez em Portugal o percurso completo dos pagamentos do bem-estar social — desde o reconhecimento do direito até à chegada efetiva do pagamento ao beneficiário. O trabalho, intitulado Welfare Sector Payments – Portugal, constitui a primeira aplicação da metodologia WSP Assessment criada para avaliar a eficiência dos sistemas de pagamentos sociais na Europa, tendo Portugal sido escolhido como país-piloto.
O estudo revela que pensões, apoios sociais e saúde movimentam anualmente em Portugal mais de 86 mil milhões de euros em transferências públicas diretas a cidadãos e prestadores de saúde. Os resultados indicam que o país dispõe de condições favoráveis à modernização: infraestrutura financeira sólida, serviços públicos digitais desenvolvidos, elevados níveis de inclusão financeira e enquadramento legal robusto. No entanto, os principais desafios não estão no processamento em si, mas nas etapas anteriores — troca de informação, validação de processos e articulação entre entidades.
A análise propõe seis caminhos de melhoria: criar um espaço de coordenação dedicado aos pagamentos do bem-estar social; medir o desempenho de ponta a ponta em fluxos-chave; definir responsáveis claros pela troca de dados entre instituições; aproveitar melhor os pagamentos imediatos; reforçar os canais de proximidade para quem tem menos acesso digital; e acompanhar continuamente a satisfação dos beneficiários.
Os resultados foram apresentados publicamente a 10 de setembro, na Embaixada de Itália, em Lisboa, durante a conferência internacional The Future of Money, Payments and Welfare Delivery. Ricardo Zózimo, da Nova SBE, afirmou que "o desafio já não é tecnológico, é de coordenação entre as instituições". Lívia Piermattei, presidente da Fast Forward Foundation, sublinhou que os pagamentos do setor social têm impacto direto na vida de milhões de pessoas e que o estudo permite compreender como sistemas já sólidos podem tornar-se mais eficientes e inclusivos.




