A economia francesa deverá crescer apenas 0,4% em 2026, segundo as novas previsões do Instituto Nacional de Estudos Estatísticos (INSEE), divulgadas a 10 de setembro. Este valor representa uma desaceleração face aos 0,9% registados no ano anterior, com as ondas de calor deste verão a subtraírem 0,1 pontos percentuais ao crescimento do PIB devido ao impacto na produção agrícola. O INSEE alertou que a França está a perder terreno para o resto da Europa devido ao calor extremo, à quebra das obras públicas, à deterioração do mercado de trabalho e a uma situação orçamental complexa.
A segunda maior economia da zona euro estagnou no segundo trimestre do ano, depois de ter contraído 0,2% nos primeiros três meses, muito abaixo da previsão inicial de crescimento de 0,3%. O setor agrícola foi o mais penalizado pela onda de calor que durou cerca de 50 dias entre meados de junho e o final de agosto, registando uma quebra de 3,1% no seu valor acrescentado. O comércio externo foi o principal motor da atividade económica, contribuindo com 0,6 pontos percentuais para o PIB, graças à recuperação das exportações impulsionadas pelas entregas de aviões.
O INSEE prevê um crescimento de 0,1% no terceiro trimestre e de 0,2% no quarto trimestre de 2025. Para o conjunto de 2026, o consumo das famílias deverá aumentar apenas 0,3%, enquanto o investimento contrairá 0,6%. O poder de compra das famílias deverá recuar 0,4% este ano, limitando o consumo. A inflação também deverá acelerar, subindo de 2,4% em agosto para 2,9% até ao final do ano, impulsionada pela crise energética.
As novas projeções do INSEE são mais pessimistas do que as do Governo francês, que mantém a estimativa de crescimento em 0,7% para 2025. O executivo de Paris deverá atualizar as suas projeções macroeconómicas na sexta-feira. O instituto alertou ainda que uma escalada do conflito no Médio Oriente poderá aumentar ainda mais os custos da energia e reduzir o poder de compra das famílias e as margens de lucro das empresas.




