Em Portugal, a tarde de 11 de setembro de 2001 começou como qualquer outra. Pessoas trabalhavam, regressavam do almoço, assistiam à televisão em cafés e em casa, e nas escolas as aulas decorriam normalmente. Às 13h46, hora de Portugal continental, muitos viram as primeiras imagens: uma torre muito alta em Nova Iorque com uma enorme ferida de fumo. A informação inicial falava de um acidente aparentemente isolado. Dezassete minutos depois, às 14h03, outro avião entrou na Torre Sul em direto, e deixou de haver dúvidas. Os cafés calaram-se, nos locais de trabalho as pessoas pararam para ver televisões ou ouvir rádios, e as chamadas telefónicas multiplicaram-se. Muitos pais foram buscar os filhos à escola com a sensação de que algo tinha mudado.
Naquela manhã de 11 de setembro, quatro aviões comerciais foram sequestrados por membros da organização terrorista Al-Qaeda. O primeiro atingiu a Torre Norte às 8h46, o segundo embateu na Torre Sul às 9h03, um terceiro atingiu o Pentágono em Washington e um quarto caiu num campo da Pensilvânia. Antes de seguirem para Boston, Mohamed Atta e Abdul Aziz al-Omari tinham passado pelo balcão da American Airlines no aeroporto de Portland, no Maine, onde o funcionário Michael Tuohey tratou do check-in e recordou mais tarde que Atta parecia irritado e desconfortável. Às 9h59 locais, a Torre Sul ruiu, e vinte e nove minutos depois caiu a Torre Norte, transformando o local numa nuvem imensa de fumo, poeira e escombros. Morreram quase três mil pessoas de dezenas de nacionalidades.
O 11 de setembro alterou profundamente o mundo. Mudou a segurança nos aeroportos, a política externa dos Estados Unidos e deu origem às guerras no Afeganistão e no Iraque. Antes do 25.º aniversário, a Câmara de Nova Iorque disponibilizou mais de 170 mil páginas de documentos sobre a qualidade do ar e a resposta das autoridades após os ataques, após anos de pressão de sobreviventes, familiares e associações que criticaram a falta de transparência sobre os riscos da poeira tóxica em Ground Zero.
Para quem assistiu aos acontecimentos à distância, em Portugal, ficou uma memória muito pessoal: o sítio onde estava, a televisão onde viu as imagens, a pessoa a quem telefonou, o silêncio que se instalou. Passados 25 anos, Nova Iorque reconstruiu o espaço e no local das antigas torres existe hoje um memorial com os nomes das vítimas. Mas a pergunta mantém-se viva: onde estava cada um no 11 de setembro?




