Dois exploradores estrangeiros, identificados como 2swag e Urbex Ashton, entraram recentemente no Vila Franca Centro durante a noite, permanecendo várias horas no interior do edifício abandonado. Os dois aventurantes prepararam comida, água e um plano para entrar cerca das duas da manhã, evitando ser descobertos durante o dia num edifício rodeado de pessoas. Passaram a noite a percorrer corredores escuros com lanternas, documentando em vídeo o estado de degradação de um centro comercial que encerrou em 31 de outubro de 2013 e que se encontra abandonado há quase 13 anos.
As imagens revelam um espaço profundamente degradado, com tetos caídos, infiltrações, bolor, pombos que se apropriaram de pisos inteiros e dejetos espalhados por várias zonas. Os exploradores encontraram restos de lojas fechadas, incluindo uma antiga ótica com equipamento ainda no interior, uma Fuji Image Service com fotografias espalhadas pelo chão, cartazes de artistas dos anos 2000 e menus de restauração com preços de 2013. Numa antiga Western Union descobriram uma tabela de câmbios com a data de 31 de outubro de 2013, precisamente o dia do encerramento definitivo, que compararam a um relógio parado no último dia de vida do centro comercial.
A edição do Valor Local revisita também os quase 13 anos de abandono e recolhe as posições políticas para o futuro do edifício. O presidente da Câmara, Fernando Paulo Ferreira, acredita que o atual mandato poderá trazer uma solução, apontando para avanços até 2029, e refere que mais de metade das frações estão concentradas num único proprietário, o que permitiu realizar uma assembleia de condóminos para avançar com um levantamento técnico. O vereador David Pato Ferreira, da Nova Geração, não acredita que o problema seja resolvido durante este mandato e antecipa que caberá ao seu partido encontrar uma solução a partir de 2029, criticando a ausência de projeto concreto. O Chega, representado por Barreira Soares, defende investimento privado e accuses o executivo socialista de manter o processo na opacidade. A CDU, através de Cláudia Martins, insiste numa intervenção direta do município, propondo a centralização de serviços públicos e a abertura dos 188 lugares de estacionamento municipal que permanecem encerrados.




