Incerteza que “muda coisas da noite para o dia” impede Lagarde de sinalizar passo seguinteFoto de JosepMonter no Pexels
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Incerteza que “muda coisas da noite para o dia” impede Lagarde de sinalizar passo seguinte

Eco10 de setembro de 2026 às 15:39

O Banco Central Europeu (BCE) aumentou esta quinta-feira as taxas de juro em 25 pontos base, uma decisão que Christine Lagarde classificou como "unânime e óbvia". A presidente do BCE recusou, contudo, dar pistas sobre se haverá uma nova subida de juros até ao final do ano, desiludindo os jornalistas que aguardavam sinais sobre a direção futura da política monetária. "Não estamos a tomar uma posição sobre a direção a seguir na nossa próxima reunião", adiantou Lagarde durante a conferência de imprensa realizada em Berlim.

A francesa explicou que a relutância em antecipar os próximos passos se deve ao elevado nível de incerteza que caracteriza o momento atual. "Devido a esse nível de incerteza, simplesmente não podemos antecipar qual será exatamente o próximo passo", disse, referindo-se às múltiplas mudanças geopolíticas que estão a ocorrer de forma regular. "Não nos concentramos na reunião e nos dados para incomodar nem vocês, nem os observadores, nem os analistas, fazemo-lo porque nos encontramos numa situação de incerteza que pode mudar as coisas quase da noite para o dia", completou.

O BCE manteve inalterada a projeção de inflação para este ano, mas reviu em alta as previsões para os dois anos seguintes. As novas projeções apontam para uma inflação de 3% em 2026, 2,5% em 2027 e 2,1% em 2028, quando as anteriores, divulgadas em junho, indicavam 3%, 2,3% e 2%, respetivamente. Lagarde reiterou que o Conselho do BCE está "determinado a cumprir" a meta de inflação nos 2%.

Sobre a recente subida das yields das dívidas soberanas da Zona Euro, Lagarde sublinhou que "não se trata de uma questão específica do euro, está a acontecer em todo o mundo" e deve-se a múltiplas causas. A presidente insistiu na separação de papéis entre os mercados e o BCE: "Os mercados fazem o que têm de fazer — e nós fazemos o que temos de fazer, que é garantir a estabilidade dos preços, definida como a meta de 2% a médio prazo".

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