Países da NATO travaram na primavera uma operação da Rússia destinada a testar tecnologia secreta para desativar cabos submarinos essenciais às comunicações e transações financeiras globais. A intervenção decorreu nas águas do Ártico, junto ao arquipélago de Svalbard, onde submarinos russos utilizaram veículos submersíveis para simular a utilização da tecnologia.
A operação conjunta do Reino Unido, Noruega e Estados Unidos acompanhou e confrontou os navios russos no mar, impedindo-os de concretizar o exercício conduzido pela Diretoria Principal de Pesquisa em Águas Profundas russa (GUGI). O exercício não provocou danos em cabos, mas a sua intenção era avaliar a resposta da Aliança Atlântica e a aplicação do Artigo 5.º, segundo responsáveis norte-americanos citados pela Reuters.
Os cabos em causa são dois de fibra ótica com cerca de 1.400 quilómetros que ligam Svalbard à Noruega continental, atingindo profundidades de 2.700 metros. Transportam dados da estação terrestre de satélites SvalSat, considerada a maior do mundo, integrada na Near Space Network da NASA, que fornece serviços de comunicação e navegação para missões espaciais.
A atividade russa de reconhecimento de infraestruturas submarinas tem aumentado desde 2023, com navios a circular junto de cabos de telecomunicações, energia e oleodutos. A NATO tem reforçado a vigilância através das missões Baltic Sentry e Nordic Warden. A Rússia não comentou o episódio e nega sistematicamente conduzir operações de sabotagem em países da NATO.




