O ex-primeiro-minstro José Sócrates disse esta quinta-feira, durante o julgamento do processo Operação Marquês, que o acordo do Grupo Lena na Venezuela, considerado vantajoso, foi negociado por Paulo Portas durante o governo de Pedro Passos Coelho. Sócrates regressou ao tribunal praticamente um ano depois das suas últimas declarações, desta vez sem advogado.
O antigo primeiro-minstro quis mostrar que não houve favorecimento ao grupo Lena durante o período em que governou. Segundo Sócrates, "quem ajudou a empresa Lena a fazer um negócio bom para a empresa Lena foi o governo que me sucedeu", referindo-se ao executivo de Passos Coelho.
Sócrates afirmou que "quem fez todo o trabalho diplomático para que a Lena pudesse fazer construção de casas na Venezuela" foi o governo de Passos Coelho e o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas. "Este acordo é da maior importância. Foi feito no tempo do dr. Passos Coelho. Não posso ser mais elogioso", completou, apesar das dúvidas apontadas pela juíza Susana Seca.
Na acusação, o Ministério Público defende que o grupo Lena terá pago quase 2,4 milhões de euros a José Sócrates para obter apoio privilegiado no concurso para a construção de habitação social na Venezuela. Sócrates é um dos 21 arguidos no processo e responde, entre outros crimes, por três crimes de corrupção, por alegadamente ter recebido dinheiro para beneficiar o Grupo Lena, o Grupo Espírito Santo e o resort algarvio de Vale do Lobo.




