Coface prevê que cobre, níquel e alumínio enfrentem escassez estrutural até 2035Foto de malosotenebroso no Pexels
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Coface prevê que cobre, níquel e alumínio enfrentem escassez estrutural até 2035

Jornal Económico10 de setembro de 2026 às 12:53

A gestora de risco Coface prevê que o cobre, o níquel e o alumínio enfrentem escassez estrutural até 2035, devido à combinação entre a forte procura gerada pela transição energética e pela eletrificação, e uma oferta cada vez mais limitada. O economista do setor dos metais da Coface, Simon Lacoume, afirmou que esta situação poderá inaugurar um novo ciclo de valorização dos preços dos metais, exercendo pressão duradoura sobre os mercados globais.

A procura por estes metais já era sustentada por tendências estruturais como a urbanização, as infraestruturas e o crescimento das economias emergentes. A isto soma-se agora a procura gerada pela transição energética e pela digitalização, com as energias renováveis, os veículos elétricos, as baterias, as redes elétricas e os centros de dados a serem particularmente intensivos em metais. Segundo o cenário da Agência Internacional de Energia, as tecnologias limpas poderão representar 35% da procura global de cobre e níquel até 2035.

A oferta está a revelar-se insuficiente, uma vez que menos de 1% dos projetos de exploração mineral resulta numa mina operacional e o desenvolvimento de nova capacidade pode demorar cerca de 20 anos em média. A isto junta-se uma forte concentração geográfica das cadeias de abastecimento, com a Indonésia a representar 67% da produção mundial de minério de níquel e a China a deter mais de metade da capacidade de refinação de vários metais. Até ao final de 2025 estavam em vigor 1.138 medidas que afetam a importação ou exportação de minerais críticos, comparando com 357 dez anos antes.

A Coface projeta que o cobre poderá enfrentar um défice entre 1,5 e 6,5 milhões de toneladas até 2035, o níquel um défice de cerca de 6,5 milhões de toneladas e o alumínio um défice entre 5 e 15 milhões de toneladas. Os preços do cobre e do níquel deverão quase duplicar na próxima década. Para os fabricantes, conclui a Coface, o desafio irá para além do preço, sendo essencial assegurar o acesso a metais críticos, desenvolver a reciclagem e reduzir a intensidade material.

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