Margarida Pereira, uma jovem de 15 anos natural de Vieira do Minho, participou pela primeira vez na arruada de concertinas das Feiras Novas em Ponte de Lima, um dos momentos altos da abertura desta romaria. No meio do ruído das concertinas, das castanholas e das vozes que enchiam as ruas do centro histórico, a jovem tocava sem parecer intimidada pela multidão, descrevendo o ambiente como "uma confusão fixe, efusiva, que dá vontade de tocar cada vez mais".
Entre centenas de tocadores, Margarida é uma das poucas jovens mulheres a fazer-se ouvir. A jovem reconhece que o meio continua a ser dominado pelos homens e afirma que ainda são muito poucas mulheres. A sua provocação foi clara: "Para haver mais mulheres nas concertinas é preciso que haja menos homens a achar que são os maiores".
A ligação de Margarida ao instrumento começou há cerca de três anos, depois de ter passado a infância a ver o tio tocar. Essa experiência inspirou-a e, anos mais tarde, entrou para uma escola para aprender. Hoje ensaia cerca de uma hora e meia por dia e garante que gosta de interpretar "de tudo", sublinhando que "tocar concertina é a única coisa que realmente gosto de fazer".
Na noite de abertura das Feiras Novas, a arruada juntou também muitos outros jovens tocadores, algo que Margarida considera "ótimo". A jovem acredita que ver tantas pessoas da sua geração a tocar é um sinal de que as tradições são valorizadas e não se vão perder tão facilmente.




