A Siroco, Sociedade Industrial de Robótica e Controlo S.A., nasceu em 1988 em Aveiro e foi adquirida em 2010 por Kathy Barroso e José Luís Barroso, que aceitaram o desafio de assumir a empresa quando os fundadores originais se reformaram. Na altura, a Siroco estava integrada num grupo familiar de Braga dedicado à indústria dos plásticos, com uma lógica de produção muito diferente da engenharia à medida que caracteriza a empresa. Em 2015, o casal tomou a decisão estratégica de tornar a Siroco novamente independente, assumindo em conjunto a liderança do negócio — Kathy como CEO e José Luís como COO.
A empresa desenvolve e constrói equipamentos e linhas de automação industrial, integrando robótica e soluções inteligentes, criando sistemas totalmente customizados para cada cliente. Os seus principais clientes são empresas industriais dos setores automóvel, eletrónico, elétrico, biomédico, ferroviário e de manufatura avançada, muitas delas multinacionais. A equipa é composta por cerca de 64 colaboradores altamente qualificados, entre engenheiros e técnicos, e a empresa oferece soluções chave na mão, com cada projeto a nascer do zero e a exigir conhecimento tecnológico profundo.
A faturação da Siroco tem-se mantido estável entre os quatro e os seis milhões de euros anuais, mas é na internacionalização que a empresa mais se destaca, com 60% a 85% da produção a ser exportada. Os mercados incluem Espanha, França, Alemanha, Suécia, Polónia, Marrocos, Tunísia, Egito, México, Estados Unidos e China, entre outros. O casal destaca que muitas vezes começam a trabalhar com um cliente em Portugal e depois são recomendados para outras fábricas no mundo, o que demonstra a importância do efeito de rede.
A empresa enfrenta desafios significativos, incluindo a pandemia, a instabilidade geopolítica e problemas nas cadeias de abastecimento, com aumentos de preços nas matérias-primas e componentes entre 5% e 30%. A concorrência internacional é apontada como outro grande desafio, sendo que o COO lamenta que a Europa não crie regulamentação que ajude as empresas a concorrer com a Ásia. Ainda assim, a resposta tem passado pela inovação constante, num setor onde a Siroco opta por competir pela qualidade e diferenciação em vez de pelo preço.




