Os mercados entram esta quarta-feira, 10 de setembro, sob pressão, com Wall Street a fechar a sessão anterior em terreno negativo pela terceira vez consecutiva. O S&P 500 recuou 0,48% para os 7.636,36 pontos, o Dow Jones Industrial Average desceu 0,77% para os 52.380,66 pontos e o Nasdaq Composite cedeu 0,64% para os 26.253,34 pontos. Este sentimento de aversão ao risco deverá condicionar a abertura das praças europeias, que já vinham de uma sessão de perdas generalizadas e da escalada das yields soberanas.
Os investidores centram agora as atenções na reunião do Banco Central Europeu (BCE), marcada para quinta-feira, onde se espera uma subida de 25 pontos base nas taxas de juro diretoras. A decisão surge num contexto de inflação persistente na área do euro, alimentada pela subida dos custos energéticos. Os analistas vão escrutinar o discurso da presidente Christine Lagarde em busca de sinais sobre o ritmo de futuras subidas de juros, num ciclo que os mercados já não descartam prolongar-se além do outono. As yields da dívida pública europeia deverão continuar sob pressão, com avanços de mais de 10 pontos base nas taxas a dez anos de Itália, Grécia e França, e a yield portuguesa a dez anos nos 3,79%.
O petróleo deverá continuar a negociar em níveis elevados, com o Brent acima dos 100 dólares por barril, sustentado pelo impasse entre os Estados Unidos e o Irão em torno da reabertura do Estreito de Ormuz e pelas tensões no Mar Vermelho, onde os houthis têm intensificado ataques. Os investidores aguardam também a divulgação dos dados de inflação nos Estados Unidos, no final desta semana, e a reunião de política monetária da Reserva Federal (Fed), prevista para a próxima semana, como principais catalisadores para a evolução dos mercados.
Na geopolítica, o Presidente norte-americano Donald Trump revelou que o homólogo russo Vladimir Putin, com quem falou na terça-feira, quer "um acordo" com a Ucrânia. Trump previu ainda que a guerra com o Irão "terminará imediatamente após as eleições" intercalares norte-americanas, marcadas para 3 de novembro, afirmando que Teerão está a tentar "desesperadamente influenciar as eleições". O Irão exige que os Estados Unidos voltem aos compromissos assumidos no memorando e condiciona a suspensão da ameaça militar no Estreito de Ormuz ao fim da guerra em todas as frentes e ao fim do bloqueio norte-americano.




