Bruxelas reforçou a reserva agrícola da União Europeia com mais 300 milhões de euros para 2026, mas essa dotação já está esgotada, segundo uma carta enviada pelo comissário europeu da Agricultura, Christophe Hansen, aos Estados-membros. A agricultura europeia enfrenta uma nova frente de pressão, depois da subida dos custos dos fertilizantes e da energia, agora agravada por uma seca severa e prolongada que ameaça as colheitas em várias regiões. A reserva agrícola tem uma dotação anual de 450 milhões de euros.
Em julho, os Estados-membros aprovaram ainda a mobilização de 540 milhões de euros para apoiar agricultores afetados pelo aumento dos custos dos fertilizantes e da energia, na sequência da crise no Médio Oriente. Portugal recebeu 9,46 milhões de euros neste pacote, e os Estados-membros podem complementar este apoio até 200% com fundos nacionais.
Na carta, Hansen pede aos governos que utilizem os instrumentos disponíveis através dos Planos Estratégicos da Política Agrícola Comum e dos orçamentos nacionais, considerando que o recurso à reserva agrícola deve ser considerado como último recurso. Entre as possibilidades está um novo mecanismo de intervenção de crise da PAC para compensar perdas de produção provocadas por fenómenos climáticos adversos, incluindo a seca, quando as perdas atingem pelo menos 30%.
O comissário admite que o problema é estrutural, defendendo que a resposta não pode limitar-se a compensar perdas depois de estas acontecerem. Bruxelas recomenda investimentos na adaptação da agricultura às alterações climáticas, incluindo em culturas mais resistentes ao calor e à seca, sistemas de rega mais eficientes, reutilização de água e soluções digitais. A situação estará em discussão na próxima reunião informal dos ministros da Agricultura da UE, em Dublin, entre 6 e 8 de setembro.




