O Governo espanhol sublinhou esta quarta-feira que não recebeu qualquer relatório ou alerta oficial dos serviços de informações sobre Ceuta, mantendo que ninguém previu a magnitude do que ocorreu na cidade em julho. Miguel Ángel Pérez Triano, delegado do Governo de Espanha na cidade autónoma, afirmou numa conferência de imprensa que as únicas comunicações foram trocas de informações por WhatsApp entre um elemento do Centro Nacional de Inteligência (CNI) e um membro do seu gabinete, salientando que estas mensagens não constituem um alerta nem um relatório oficial.
O CNI confirmou que não antecipou o que ocorreu em Ceuta a 30 de julho, num fenómeno descrito como invulgar e diferente das crises migratórias conhecidas até então. Os serviços de informações espanholas alertaram, no entanto, para campanhas nas redes sociais que apelavam a um assalto à vedação de Ceuta, tendo feito avisos ao Governo de Marrocos, à Delegação do Governo espanhol em Ceuta e a uma unidade de inteligência da Guarda Civil no dia 29 de julho, véspera da entrada ilegal.
Segundo documentos desclassificados e publicados pelo Governo espanhol, o CNI identificou grupos no WhatsApp e Facebook com um total de 180.000 seguidores que circulavam convocatórias para entradas em Ceuta. Uma mensagem enviada às 13:52 de 29 de julho informava sobre apelos para um assalto pela vedação e por mar no dia seguinte às 20:00. Apesar destes avisos, o executivo mantém que a informação disponível não permitia antecipar a magnitude que a crise veio a alcançar.
Mais de 72.000 pessoas entraram ilegal e voluntariamente em Ceuta a 30 de julho, a nado ou saltando a vedação fronteiriça, a partir das 11:00. Pedro Sánchez tinha anunciado a publicação dos documentos relacionados com o incidente num debate parlamentar, negando que existissem provas sobre o envolvimento de Marrocos na crise ou que o Governo tivesse sido alertado com antecedência para uma entrada em massa com a dimensão que acabou por ter.




