Carlos Santos, natural de Santa Comba e atualmente com 78 anos, trabalhava durante o dia nas Feiras Novas de Ponte de Lima como transportador. Carregava porcos para os restaurantes que preparavam sarrabulho, além de vinho, tendas, "pilinhas" (pequenos divertimentos) e pessoas vindas de várias terras, incluindo Arcos de Valdevez e Paredes de Coura. Muitos vinham a pé, acompanhados pelos animais que pretendiam vender na festa. Carlos lembra-se de uma história curiosa em que dois porcos caíram da carrinha durante o transporte e um ficou a comer erva à beira da estrada.
As Feiras Novas representavam uma oportunidade para muitas pessoas ganaharem algum dinheiro e regressarem a casa com compras feitas na festa, como regueifas ou tremoços. Carlos considerava-se uma das poucas formas de transporte disponíveis para quem vinha de longe participar na feira, que era um evento de grande movimento na vila.
À noite, depois de terminar os transportes por volta das 22 horas, Carlos não ia dormir. Voltava às Feiras Novas e juntava-se aos amigos na "tourada", como ele próprio designava a festa. Passava a noite no pagode e na brincadeira, entre tascas e tendas onde, segundo as suas palavras, "eram só bêbedos", alguns já a dormir encostados às mesas. "Às vezes também apanhava uma bebedeira e ficava à rasca", admitiu entre risos.
A noite de diversão terminava entre as quatro e cinco da manhã, mas pouco depois Carlos tinha de recomeçar o trabalho. Quando chegava a casa, já tinha pessoas à sua espera para fazer os transportes novamente, num ciclo contínuo de trabalho e festa durante os dias da feira.




