A Alemanha está a debater uma reforma profunda do sistema de pensões face ao envelhecimento da população e às dificuldades de financiamento. Uma comissão apresentou ao chanceler Friedrich Merz 33 recomendações, num relatório entregue em 23 de junho, que incluem ligar a idade da reforma à evolução da esperança de vida depois de 2031. O mecanismo proposto distribui cada aumento da esperança de vida numa proporção de dois para um entre trabalho e reforma, o que poderia elevar a idade de acesso dos atuais 67 anos para 67 anos e seis meses entre 2031 e 2041, podendo chegar aos 70 anos no início da década de 2090, dependendo da legislação aprovada e da evolução demográfica.
As projeções do Instituto Federal de Estatística alemão, Destatis, indicam que uma em cada quatro pessoas residentes na Alemanha terá 67 anos ou mais em 2035, quando atualmente essa proporção é de uma em cada cinco. Paralelamente, prevê-se uma diminuição da população em idade ativa, o que agrava a pressão sobre o sistema de pensões com a saída das gerações mais numerosas para a reforma e a entrada de gerações mais pequenas no mercado de trabalho.
Entre as recomendações mais controversas está a eliminação da reforma antecipada sem penalização para quem tenha 45 anos de contribuições, atualmente conhecida como "Rente mit 63". A comissão propõe ainda subir dos 63 para os 64 anos a idade mínima para a reforma antecipada com cortes, acessível após 35 anos de contribuições. A presidente do sindicato IG Metall, Christiane Benner, contestou a eliminação desta modalidade, defendindo que o sistema deve reconhecer o esforço de quem descontou durante mais tempo.
O pacote de reformas inclui também uma componente obrigatória de poupança investida nos mercados financeiros, com contribuições adicionais de 2% do rendimento repartidas igualmente entre trabalhador e empregador. Esta medida seria implementada de forma gradual, em incrementos anuais de 0,5 pontos percentuais, inspirando-se no modelo sueco. Em Portugal, a idade de reforma já está ligada à esperança média de vida, fixada em 66 anos e nove meses para 2026 e 66 anos e 11 meses para 2027.



