Escândalo Hope Florida completa quase um ano e ainda reverbera na política da FlóridaFoto de Nennieinszweidrei no Pexels
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Escândalo Hope Florida completa quase um ano e ainda reverbera na política da Flórida

Nossa Gente9 de setembro de 2026 às 15:30

O escândalo Hope Florida continua reverberando na política da Flórida quase um ano após o vazamento do relatório do júri de acusação, que concluiu que o governo estadual desviou US$ 10 milhões da fundação Hope Florida para fins políticos. O caso envolve diretamente o procurador-geral James Uthmeier, o advogado da fundação Jeff Aaron, e membros do governo DeSantis. A investigação original na Câmara estadual, conduzida pelo deputado Alex Andrade, travou após testemunhas-chave, incluindo Mark Wilson e o próprio Jeff Aaron, se recusarem a depor novamente, levando o caso ao Ministério Público estadual.

O escândalo afetou significativamente as indicações do governo DeSantis. Após mais de um ano de atraso, o Senado estadual confirmou em março Shevaun Harris como secretária da Agência de Administração de Cuidados de Saúde e Taylor Hatch como secretária do Departamento de Crianças e Famílias, ambas ameaçadas de deixar o cargo por não serem confirmadas dentro do prazo legal de dois anos. Jeff Aaron também foi confirmado para a Comissão de Relações de Empregados Públicos por 26 votos a 10, apesar de sua ligação direta com o esquema, o que gerou críticas do senador democrata Carlos Guillermo Smith.

O programa Hope Florida também foi diretamente afetado pelo escrutínio. Parlamentares reduziram os recursos destinados ao programa, recusando financiamento para uma linha telefônica de atendimento e quatro novos cargos. Pela primeira vez desde o lançamento em 2021, nenhuma agência estadual pediu recursos para o Hope Florida na sessão legislativa de 2026. A Save Our Society From Drugs, uma das entidades que repassou recursos ao comitê político de Uthmeier, teve a renúncia de seu presidente do conselho em 2025, alegando que a diretoria não foi informada sobre a movimentação financeira.

O caso já entrou na disputa eleitoral de 2026, com Uthmeier concorrendo à reeleição e sendo chamado publicamente de "criminoso" pelo candidato democrata José Javier Rodriguez. Democratas argumentam que as 16 conclusões do júri de acusação vão pesar na eleição, já que o relatório apontou a transferência ilegal de US$ 10 milhões durante o ciclo eleitoral de 2024 como parte de um esforço para derrotar a emenda constitucional de legalização da maconha recreativa. DeSantis classificou a investigação como tentativa de "difamar" sua esposa, Casey DeSantis, cujo possível futuro político pode ser afetado pela repercussão do caso.

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