A 5 de Junho de 1878, Jules Verne chegou a Lisboa a bordo do seu iate Saint-Michel III, proveniente de Vigo. Era acompanhado pelo irmão Paul Verne, por Jules Hetzel filho (ligado ao seu editor) e pelo antigo député francês Raoul Duval. Verne dispunha de dois dias para conhecer a capital portuguesa e dedicou-os a uma intensa visita pela cidade.
Na manhã do primeiro dia, acompanhado pelo banqueiro Jorge O'Neill, visitou o Consulado de França e a Igreja de São Roque. Depois do almoço encontrou-se com David Corazzi, o seu editor português, na Rua da Atalaia, e conheceu a família de O'Neill. Ao fim do dia, jantou no Grand Hotel Central, na Praça Duque da Terceira, junto ao Cais do Sodré, um dos estabelecimentos mais conhecidos da Lisboa oitocentista. Já perto da meia-noite assistiu à zarzuela La Gallina Ciega nos Recreios Whittoyne e regressou ao seu iate.
Na manhã seguinte, os seus companheiros partiram para Sintra mas Verne permaneceu em Lisboa. Recebeu a bordo o capitão João de Carvalho Ribeiro Viana, antigo director do Arsenal da Marinha, com quem conversou sobre navios e sobre o novo cruzador português Vasco da Gama. À tarde visitou a zona monumental de Belém, a Torre de Belém e o Mosteiro dos Jerónimos.
Ao fim da tarde do segundo dia, reencontrou no Grand Hotel Central o escritor e jornalista Manuel Pinheiro Chagas, acompanhado por Ramalho Ortigão e Rafael Bordalo Pinheiro. Verne revelou que trabalhava então em Um Capitão de Quinze Anos e afirmou que em França Portugal já era reconhecido como uma nação com forte individualidade. Depois do jantar visitou Fernando Palha, no Dafundo, para conhecer a sua colecção de livros e antiguidades. Às seis da manhã de 7 de Junho, o Saint-Michel III partiu do Tejo rumo a Cádis.




