Oito meses após as tempestades de final de janeiro, 16 estradas continuam encerradas das 336 que tiveram cortes totais, revelou Miguel Pinto Luz, ministro das Infraestruturas e Habitação, na Comissão Eventual para a Resiliência Nacional. O governante afirmou que em várias situações é impossível reconstruir as estradas nas suas localizações anteriores, referindo como exemplos a EN-232 em Manteigas, onde troços desapareceram, e crateras gigantes na EN8 na região do Oeste.
Na infraestrutura ferroviária, onde se registaram 681 ocorrências, a Linha da Beira Baixa tem data de reabertura para 20 de setembro, enquanto a Linha do Oeste reabrirá em todos os troços em janeiro do próximo ano. Hugo Espírito Santo, secretary de Estado das Infraestruturas, referiu que partes desta última linha ficaram suspensas no ar em centenas de metros. O orçamento total da Infraestruturas de Portugal para estas reparações é de 490 milhões de euros, dos quais já foram contratados 221 milhões para estradas e 78 milhões para a ferrocarril.
Nas telecomunicações, dois dos três operadores já atingiram níveis de serviço normais, enquanto a Meo apresentava 323 avarias a 1 de setembro, representando mais de 99% das ocorrências resolvidas. No entanto, continuam por repor cerca de 16 mil postes e quilómetros de cabos junto ao solo, com a reposição definitiva prevista apenas para o primeiro semestre de 2027.
Quanto aos apoios para reconstrução de casas, das 35.908 candidaturas submetidas, 82% foram analisadas e 93% dessas já estão pagas, num total superior a 80 milhões de euros distribuídos às famílias. O apoio médio do Estado é de 4.200 euros, superior aos 3.700 euros do valor médio pago pelos seguros. O PTRR, aprovado em junho de 2026, prevê um investimento total de 22,6 mil milhões de euros para cobrir estas e outras intervenções de reconstrução e prevenção.




