Portugal viu o custo do financiamento público disparar para máximos em recentes leilões de dívida, com a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) a colocar 1.628 milhões de euros através de três emissões de Obrigações do Tesouro, registando uma subida generalizada dos juros em todas as maturidades — a nove anos os rendimentos subiram para 3,632%, a oito anos para 3,559% e a quatro anos para 3,122%. A tendência reflete um cenário global instável impulsionado pelo conflito no Médio Oriente, pela perspetiva de novas subidas das taxas de juro pelo BCE e pelo impacto da guerra na Ucrânia nos preços dos combustíveis e grãos, com a yield da dívida portuguesa a atingir o valor mais elevado desde abril de 2017. Analistas consideram que os riscos fiscais, a inflação persistente e as crescentes necessidades de financiamento continuarão a pressionar os prémios de risco, embora os spreads da periferia da Zona Euro devam manter-se estabilizados, em contraste com a vulnerabilidade evidenciada por França.
Jornal Económico09/09/26, 11:39