Nike atinge mínimos de 12 anos: Estará a estratégia ‘Win Now’ condenada?Foto de Couleur no Pexels
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Nike atinge mínimos de 12 anos: Estará a estratégia ‘Win Now’ condenada?

Jornal Económico9 de setembro de 2026 às 07:00

A Nike, a cotada mais valiosa no setor desportivo, atingiu o nível mais baixo em 12 anos a 18 de agosto de 2024, em pleno processo de restruturação liderado por Elliot Hill, que regressou como CEO em outubro de 2024 após ter saído da empresa em 1988. A estratégia denominada "Win Now" não tem convencido os investidores, que mostram crescente impaciência perante a duração e complexidade do processo de recuperação. As ações encontram-se a negociar em torno dos 40 dólares, muito abaixo dos níveis históricos.

Analistas consultados pelo Jornal Económico defendem que, apesar dos desafios, o plano de recuperação não está em causa. João Lampreia, especialista de mercados na Freedom24, considera prematuro considerar o "Win Now" um fracasso, salientando que a estratégia envolve um regresso gradual às categorias desportivas, o reforço do canal grossista e um maior controlo sobre a distribuição. Henrique Valente, analista da ActivTrades, refere que a Nike dispõe de cerca de nove mil milhões de dólares em caixa, o que lhe permite continuar a financiar o plano sem depender da emissão de novas ações.

O head of trading do Banco Carregosa, João Queiroz, identifica a China como o principal foco de preocupação, com as receitas da região a caírem 23% em dois anos, de 7,55 mil milhões de dólares para 5,85 mil milhões de dólares. Simultaneamente, a empresa enfrenta crescente concorrência das marcas On e Hoka no segmento de corrida de performance, e das marcas chinesas Anta e Li-Ning, além de um ambiente comercial mais protecionista e tensões geopolíticas.

Os analistas apresentam três cenários para a empresa. No cenário otimista, a implementação bem-sucedida do "Win Now" poderia levar a cotação de volta à faixa dos 70 a 90 dólares no médio prazo. No cenário base, um sucesso parcial manteria as ações entre 45 e 60 dólares. No cenário pessimista, as ações poderiam permanecer na faixa dos 30 a 40 dólares ou testar novos mínimos, caso a pressão na China se intensifique e a transferência para o canal grossista não compense o declínio do canal direto ao consumidor.

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