Até junho, as empresas do setor espacial captaram globalmente 11,3 mil milhões de dólares em investimento de capital de risco, num total de 244 operações, valor que já supera os 10,1 mil milhões de dólares investidos em 433 negócios ao longo de todo o ano passado. Os EUA continuam a dominar, representando mais de metade do investimento mundial, mas as empresas europeias viram a sua fatia subir para mais de 20%, atingindo um valor recorde de 2,4 mil milhões de dólares no primeiro semestre, o que representa 21,1% do valor total investido globally. Este crescimento europeu assenta em grandes rondas de financiamento, como a da empresa finlandesa ICEYE, que captou mais de mil milhões de euros em junho, e numa maior procura soberana por parte dos governos europeus.
A Cimeira Internacional do Espaço decorre de 9 a 10 de setembro no Grand Palais, em Paris, organizada pelo presidente Emmanuel Macron, reunindo delegações de mais de 100 países, incluindo a Agência Espacial Portuguesa. No entanto, várias empresas norte-americanas, como a SpaceX e a Blue Origin, desmarcaram a sua participação após pressões da Casa Branca para boicotarem o evento, num sinal dos tempos e da tensão geopolítica entre blocos.
O financiamento para empresas em fase de crescimento representou 49,8% do valor total no primeiro semestre, enquanto o capital de risco em fases avançadas representou 37,6%, perfazendo 87,4% em conjunto. Em sentido contrário, o capital de risco em fases iniciais caiu de 22,2% em 2024 para 11,1%. O valor mediano das operações subiu de sete milhões de dólares no ano passado para 14,5 milhões de dólares no primeiro semestre, enquanto o valor médio subiu de 37,8 milhões para 70,5 milhões de dólares.
Em termos de setores, os lançamentos espaciais comerciais, satélites, inteligência geoespacial e infraestruturas espaciais lideraram os investimentos. O segmento terrestre continuou a ser o maior em termos de valor, levantando 6,3 mil milhões de dólares, enquanto o segmento orbital representou 39,7% do valor total, com mais de metade das operações. O segmento de exploração também cresceu para 4,7%, impulsionado principalmente pela ronda de 500 milhões de dólares da Vast Space, empresa dedicada ao desenvolvimento de estações espaciais de nova geração.




