O Governo português vai continuar a negociar com o Chega as medidas que exigem aprovação do Parlamento, nomeadamente o Orçamento do Estado para 2027, apesar de o partido de André Ventura ter apresentado na terça-feira uma moção de censura ao Executivo, que acabou por ser chumbada com a abstenção do PS.
O ministro de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, confirmou em entrevista à Sic Notícias que o Executivo mantém a vontade de dialogar com todos os partidos. Sarmento explicou que, desde abril de 2024 que o Governo não dispõe de maioria no Parlamento e que existem apenas dois partidos que podem viabilizar as propostas do Executivo.
Esta posição conciliadora contrasta com as palavras do primeiro-ministro, Luís Montenegro, durante o debate da moção de censura, em que acusou o Chega de estar "atrelado a um tanque de eleições, moções, insinuações e chavões". Montenegro defendeu que a moção do Chega não trouxe alternativas credíveis e anunciou novas medidas, incluindo uma descida do IRS até ao sexto escalão de 400 milhões de euros, com retroativos a janeiro, e um novo bónus para pensões mais baixas.
André Ventura confirmou que recebeu um pedido de reunião do Executivo sobre o próximo Orçamento do Estado. O Orçamento do Estado para 2027 tem de ser entregue na Assembleia da República pelo Governo até 10 de outubro, e no final do mês o Executivo vai reunir-se com os partidos para preparação do documento orçamental.




