O primeiro‑ministro Luís Montenegro anunciou que o Governo está a acompanhar “desde a primeira hora” as negociações entre a petrolífera portuguesa Galp e a espanhola Moeve, com o objetivo de “salvaguardar estrategicamente a capacidade de refinação em Portugal”. Esta declaração foi feita durante o debate no Parlamento sobre a moção de censura apresentada pelo Chega, em resposta a questões colocadas pelo líder do PCP, Paulo Raimundo.
Montenegro prometeu que o Executivo “não deixará de usar toda a margem que o Governo tem como acionista e que o Governo tem com todo o seu poder regulatório” para assegurar o valor estratégico do país. O primeiro‑ministro classificou esta matéria como um domínio “de soberania, de segurança estratégica e energética”, sublinhando a gravidade do assunto.
Em janeiro, a Galp, a Mubadala Investment Company e o The Carlyle Group (acionistas da Moeve) anunciaram um acordo não vinculativo para avançar com discussões detalhadas sobre uma potencial fusão dos seus portefólios downstream. O plano contempla a criação de duas empresas na Península Ibérica: a RetailCo, com 3.500 estações de serviço, em que a Galp ficaria com cerca de 50%, e a IndustrialCo, para refinação e trading, em que a Galp teria pelo menos 20%. Os co-CEO da Galp indicaram que estimam assinar o acordo em outubro.
O primeiro‑ministro foi ainda questionado sobre a entrada do Estado no capital da REN com uma participação de 13,7%, tendo prometido trazer toda a informação necessária ao Parlamento quando o processo estiver encerrado. Relativamente ao impacto nos preços da energia, Montenegro defendeu que a gestão estratégica da capacidade produtiva, transporte e distribuição cria condições para uma descida de preços.




