Os seguros são frequentemente um dos investimentos menos valorizados pelas empresas, sendo que durante as renovações a negociação centra-se no valor do prémio, deixando o verdadeiro objetivo da transferência de risco em segundo plano. No entanto, durante um processo de compra e venda de empresas, o programa de seguros assume um papel cada vez mais relevante, pois durante a due diligence o comprador procura compreender não apenas o desempenho financeiro, mas também os riscos que poderão afetar a capacidade da empresa gerar resultados no futuro.
Durante a due diligence são normalmente solicitadas as principais apólices em vigor, o histórico de sinistros, os limites de cobertura, as franquias e, em determinados setores, os relatórios de gestão de risco. O objetivo não é saber quanto a empresa paga de prémio, mas sim perceber que riscos permanecem na empresa porque não foram transferidos, ou foram insuficientemente transferidos, para uma seguradora. A identificação de lacunas de cobertura pode levar o comprador a exigir indemnizações específicas no Share Purchase Agreement, retenções de parte do preço ou outras salvaguardas contratuais.
O artigo apresenta exemplos concretos, como uma empresa da indústria alimentar sem cobertura adequada para Product Recall, uma empresa tecnológica sem seguro de riscos cibernéticos, ou empresas industriais com edifícios e equipamentos segurados por capitais desatualizados que podem não cobrir custos de reconstrução atuais. Embora estas situações raramente inviabilizem isoladamente uma operação, podem influenciar a negociação das garantias contratuais, a estrutura da transação e o próprio preço acordado.
A Marsh e a Aon incluem a análise de coberturas de seguros nos serviços de Insurance Due Diligence, e nas operações de maior dimensão o Warranty & Indemnity Insurance permite transferir determinados riscos para uma seguradora. A mensagem final é que preparar uma empresa para venda passa também por demonstrar que os principais riscos foram identificados, avaliados e transferidos quando adequado, pois o comprador está a adquirir a confiança de que os resultados serão sustentáveis no futuro.




