O Chega apresentou no Parlamento a primeira moção de censura ao XXV Governo Constitucional, a 37.ª da democracia portuguesa. A moção, intitulada "Pelo fim de um Governo sem autoridade política, incapaz de assumir responsabilidades e de garantir confiança nas instituições", centra-se na manutenção de Luís Neves como ministro da Administração Interna, no meio das polémicas que envolvem o governante. O líder do partido, André Ventura, acusou o primeiro-minstro Luís Montenegro de falta de padrão ético.
O Partido Socialista decidiu abster-se na votação, após reunião do Secretariado Nacional e da Comissão Política, liderada por José Luís Carneiro. Em comunicado, o PS justificou a opção com a intenção de não gerar uma crise política, sustentando que a abstenção "evita" essa crise mas "não iliba o Governo das suas responsabilidades". O partido considerou ainda que a moção é uma manobra do Chega para desviar atenções e ajudar o executivo a "esconder-se" das suas políticas.
Do lado do PSD, o líder parlamentar Hugo Soares rejeitou as acusações e classificou a moção como "completamente deslocada da realidade" e uma "espécie de moção de censura que caiu de Marte aos trambolhões com o único propósito de manter o députéado André Ventura na agenda mediática". Também Isabel Mendes Lopes, co-porta-voz do Livre, criticou a iniciativa, acusando o Chega de recorrer ao "folclore" para "estar sempre na ribalta".
Embora a votação ainda esteja a decorrer, o resultado esperado aponta para a rejeição da moção, uma vez que são necessários 116 votos favoráveis para aprovação. Das 37 moções de censura apresentadas na democracia portuguesa, apenas uma foi aprovada, em abril de 1987, contra o executivo de Aníbal Cavaco Silva. O Chega indicou que avançará com uma comissão parlamentar de inquérito ao caso Luís Neves, enquanto se aproxima a discussão do Orçamento do Estado para 2027, processo que deverá dominar a agenda parlamentar nas próximas semanas.




