O ministro da Administração Interna, Luís Neves, voltou a afirmar que não vai apresentar qualquer pedido de demissão durante uma audição parlamentar na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades. Questionado pelo deputador do Chega Pedro Pinto, Luís Neves disse que sairá do Governo quando o primeiro-ministro entender, salientando que qualquer ministro depende naturalmente do senhor primeiro-ministro.
Durante a audição, o ministro reconheceu que não entregou a declaração de rendimentos à Entidade para a Transparência e ao Tribunal Constitucional enquanto liderou a Polícia Judiciária entre 2018 e 2026, admitindo um "mea culpa" por não se ter recordado desta obrigação. Contudo, afirmou que nada tem para esconder.
Luís Neves comentou ainda com espanto as declarações do partido Chega relativas à utilização de viaturas apreendidas, referindo-se ao carro que conduz e que foi apreendido judicialmente no processo que condenou Ruben Oliveira, conhecido por 'Xuxas', a 20 anos de prisão por tráfico de droga. O ministro manifestou-se inteiramente disponível para o escrutínio político, judicial, financeiro e jornalístico, afirmando que nenhuma das suas decisões visou enriquecimento pessoal, favorecimento de terceiros ou desvio de bens.
Entre as polémicas que envolvem o ministro estão a entrega de um atrelado apreendido pela PJ na 'Operação Pacoba' ao empreiteiro João Carvalho, dono da Construbarcelos, e as obras em Odemira. Estes casos estão a ser investigados pelo Ministério Público, pelo Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja e pelo Tribunal de Contas.




