A alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Kaja Kallas, cancelou o lançamento de um novo grupo de alto nível dedicado à defesa europeia, depois de enfrentar oposição de vários Estados-membros. O órgão previa reunir antigos líderes políticos e militares para refletir sobre o futuro da defesa europeia, com a apresentação prevista para segunda-feira na Biblioteca Solvay, em Bruxelas.
Após discussões com ministros, foi decidido não prosseguir com a iniciativa. Vários ministros manifestaram "fortes preocupações" a Kaja Kallas, contestando tanto o método como o conteúdo da iniciativa. Um diplomata italiano revelou que a Itália "liderou a campanha" contra o grupo, tendo o ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto, ficado "muito incomodado" por a sua antecessora, Roberta Pinotti, ter sido selecionada sem o seu conhecimento.
Segundo três diplomatas ouvidos pelo Politico, a comissão deveria ser presidido pelo antigo secretário-geral da NATO Anders Fogh Rasmussen e incluir antigos ministros da Defesa como o estoniano Jüri Luik e a francesa Florence Parly, além de representantes da Alemanha, Reino Unido e乌克兰. A experiência operacional da Ucrânia na guerra com a Rússia era esperada ter um papel relevante nesse exercício.
A decisão surge num contexto de disputa sobre o futuro do Serviço Europeu de Ação Externa, com Kallas a contestar planos franco-alemães para reformer o serviço diplomático da União. Alguns diplomatas também alertaram que o grupo poderia sobrepor-se ao trabalho do comissário europeu da Defesa, Andrius Kubilius. Este recuo representa mais um contratempo para Kallas, que procura reforçar o papel da diplomacia europeia nas questões de segurança e defesa.




