O Meo Commedia a La Carte Fest realiza-se em Lisboa entre 29 de outubro e 1 de novembro no Meo Arena, tendo o humorista norte-americano Jerry Seinfeld como cabeça de cartaz. A presença de Seinfeld, marcada por posições controversas no conflito entre Israel e Palestina, incluindo comparações do movimento de libertação palestino ao Ku Klux Klan e afirmações de que a Palestina "não existe", tem gerado uma onda de cancelamentos entre os artistas.
Vários nomes do cartaz já desistiram do festival. Carolina Deslandes, Tatanka e Bárbara Tinoco cancelaram o espetáculo "Tributo Pop", assim como o Conjunto Cuca Monga. A dupla Cebola Mole saiu em protesto nas redes sociais, publicando uma imagem de melancia, símbolo de apoio à Palestina. Inês Aires Pereira assumiu publicamente as razões da sua saída, referindo não poder "relativizar ou normalizar um genocídio". Pedro Tochas e o artista visual Vhils também cancelaram as suas presenças.
O festival foi criado pelo grupo de humor de improviso Commedia a La Carte, que junta César Mourão, Ricardo Peres e Carlos M. Cunha, com César Mourão a revelar que o convite a Seinfeld foi feito há dois anos, considerando-o "um dos maiores humoristas do mundo". A Meo, como naming sponsor, está sob pressão crescente, tendo a sua assinatura "Humaniza-te" sido utilizada nas redes sociais como arma de crítica institucional.
Dois especialistas em comunicação analisaram a situação. José Franco, da Corpcom, defende que a marca não deve reagir impulsivamente nem cancelar o apoio por pressão mediática, argumentando que patrocinar um evento de humor não significa tomar posição política. Maria Domingas Carvalhosa, da Wisdom Consulting, alerta que o silêncio prolongado é arriscado e que a "Humaniza-te" deixou de ser apenas uma assinatura publicitária, passando a funcionar como um contrato reputacional que exige coerência entre valores afirmados e decisões tomadas. A Meo não respondeu aos questionamentos do +M até ao fecho do artigo.



