Os resultados dos alunos portugueses no PISA 2025 estão a gerar grande preocupação no Ministério da Educação. Portugal recuou em Leitura e Matemática para níveis de há mais de duas décadas, com os alunos a obterem 462 pontos em Leitura (oito pontos abaixo do resultado de 2000) e 460 pontos em Matemática (valores próximos de 2003). O Algarve, juntamente com Lisboa e a Península de Setúbal, integra as regiões onde se concentram maiores dificuldades educativas e problemas na contratação de professores.
O relatório envolveu mais de 760 mil alunos de 91 países, incluindo quase sete mil estudantes portugueses de 15 anos de 225 escolas. Portugal melhorou progressivamente até 2015, quando ultrapassou pela primeira vez a média da OCDE nas três áreas avaliadas, passando de país associado a "maus alunos" a uma das maiores histórias de sucesso da Europa. Contudo, a tendência de melhoria inverteu-se na última década.
O Governo afasta responsabilidades políticas diretas pelo agravamento das aprendizagens, uma vez que as provas foram realizadas cerca de um ano após a tomada de posse da atual equipa ministerial. Contudo, o executivo assume como objetivo inverter a trajetória de declínio até 2029 e quer os alunos portugueses acima da média da OCDE na próxima edição do PISA. Entre as medidas em curso estão o investimento em bibliotecas para o 1.º ciclo, o diagnóstico de fluência leitora e um novo programa de formação para professores.
O secretary de Estado Alexandre Homem Cristo apontou como causas do insucesso o impacto da pandemia de covid-19 nestes jovens e a crescente dificuldade de concentração. Sublinhou ainda que os resultados dependem do funcionamento das escolas, do currículo, dos processos de avaliação e da utilização dos diagnósticos para identificar dificuldades, rejeitando que o reforço de meios, por si só, seja suficiente para melhorar os resultados.




