O Governo garante que não recebeu qualquer alerta técnico que recomendasse travar a correção digital dos exames em 2026, apesar dos problemas registados na implementação do sistema. O Ministério da Educação, Ciência e Inovação explica que foram identificados "aspetos de melhoria", mas nenhum alerta de inviabilidade da solução. A informação técnica transmitida à tutela não apontava para a inviabilidade da classificação eletrónica e a implementação no exame nacional de Filosofia, em 2025, foi considerada "globalmente positiva".
No entanto, o Ministério admite que a implementação inicial revelou "constrangimentos operacionais e tecnológicos". Entre os problemas identificados estão falhas na integridade de ficheiros digitalizados, com páginas em falta, associação incorreta de folhas a provas, erros na identificação de versões das provas, falhas na leitura de respostas de escolha múltipla e erros de parametrização com impacto no cálculo das classificações. Estas fragilidades perturbaram o processo de avaliação, geraram "ansiedade e incerteza" entre alunos e famílias e afetaram o funcionamento das escolas e as condições de trabalho dos professores classificadores.
Na sequência destes problemas, o Ministério solicitou ao Conselho Nacional de Educação uma avaliação "aprofundada, independente, abrangente e participada" do modelo de avaliação externa. O CNE poderá constituir uma comissão especializada para conduzir esta avaliação, com uma composição plural e representativa das diferentes partes do sistema educativo. O Governo garante que não terá intervenção na definição da metodologia nem na formulação das conclusões, e o relatório final deverá ser remetido ao Governo e à Assembleia da República até 31 de dezembro de 2026.
A avaliação surge depois de o PS ter enviado perguntas ao Governo sobre a decisão de avançar para a classificação digital, admitindo avançar para uma comissão parlamentar de inquérito. O Ministério refere que a segunda fase decorreu sem constrangimentos, com os reportes de erro na plataforma a caírem de 90.479 para 5.110 e os reportes de desconformidades em PDF de 870 para apenas 5. Foram criadas uma época extraordinária de exames e 21.013 classificações foram afetadas por correções de parametrização, sendo que 87,7% dessas correções fizeram subir a nota.




