As eleições regionais de 6 de setembro de 2026 no estado da Saxónia-Anhalt resultaram numa vitória histórica do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD), que conquistou cerca de 43,8% a 44% dos votos, o seu melhor resultado de sempre numa eleição estadual, ficando a apenas três lugares da maioria absoluta. A CDU do chanceler Friedrich Merz sofreu uma derrota significativa ao cair para 17,2%, praticamente metade do resultado obtido em 2021.
Apesar da relevância política nacional e europeia do resultado, o impacto nos mercados foi contido. O índice alemão DAX abriu e negociou ligeiramente em baixa (cerca de -0,3%), enquanto outros índices europeus como o CAC 40 e o FTSE 100 registavam ganhos modestos. O euro manteve-se estável, valorizando 0,15% face ao dólar, e o rendimento das Bunds alemãs a 10 anos situava-se em níveis elevados (próximo de 3,35%-3,36%), embora a subida seja atribuída principalmente a pressões inflacionistas e preços da energia.
A calma relativa dos mercados explica-se pelo facto de a Saxónia-Anhalt representar apenas cerca de 1,8% a 2% do PIB alemão e ter poucas empresas cotadas de relevo. Além disso, os investidores consideram que as probabilidades de a AfD assumir efetivamente o governo do estado, e muito menos a nível federal, continuam reduzidas devido à chamada "Brandmauer" (muro de contenção) mantida pelos partidos tradicionais, que recusam coligações com o partido.
No entanto, a corretora XTB alerta para riscos a longo prazo, destacando que as principais propostas da AfD, como o restabelecimento de relações com a Rússia, a saída da zona euro e políticas migratórias muito restritivas, poderiam provocar um choque significativo na economia alemã. O verdadeiro risco poderá estar em Berlim, onde este resultado enfraquece o governo de Merz e alimenta a perceção de fragmentação política, podendo fazer subir o prémio de risco político da Alemanha e afetar a atratividade do país para investimento estrangeiro.




