Hugo Freitas de Sousa, um açoriano de 39 anos natural da ilha Terceira, regressou a Portugal no dia 5 de setembro após passar seis semanas detido pelo serviço de imigração dos Estados Unidos (ICE). O homem tentava entrar no país para visitar o filho de 12 anos, mas foi intercetado pelas autoridades norte-americanas quando viajava pelo Canadá, seguindo de Vancouver para Seattle. Hugo viveu 35 anos nos Estados Unidos com autorização de residência permanente, mas o documento terá expirado cerca de um ano antes da tentativa de regresso.
Durante o período em que permaneceu detido em Washington, Hugo denunciou as condições degradantes a que estava sujeito. Em declarações à RTP após aterrar em Lisboa, descreveu que só podia tomar banho de quatro em quatro dias, dormia num colchão de ioga sem almofada e com as luzes sempre ligadas. Relatou ainda que a comida era de má qualidade e que teve de fazer uma greve de fome durante quase quatro dias para chamar a atenção das autoridades sobre a sua situação.
Enquanto Hugo permanecia detido, a companheira Joyce Hernandez procurou ajuda em Portugal, contactando embaixadas, advogados e recorrendo à comunicação social. Hugo reconheceu que a chamada da companheira para os órgãos de comunicação social fez toda a diferença, tendo o consulado português em São Francisco passado depois a dar informações sobre as diligências em curso. O Ministério dos Negócios Estrangeiros confirmou no final de agosto que acompanhava o caso e mantinha comunicação com as autoridades norte-americanas.
No Aeroporto de Lisboa, Hugo reencontrou Joyce, que não via há mais de um mês. Disse estar cansado e com fome, mas manifestou alívio pelo fim da detenção. No seu regresso, agradeceu a todos os que se envolveram na resolução da situação.




