A Confederation Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas (CPPME) exigiu esta segunda-feira ao Governo a fixação imediata dos preços dos combustíveis e a adoção de sete medidas urgentes para conter o aumento generalizado dos custos de produção, alertando que a sobrevivência de milhares de pequenas empresas e explorações agrícolas no país está em risco. A organização adverte que o tecido empresarial enfrenta mais um "aumento brutal" nos combustíveis, numa altura em que as micro, pequenas e médias empresas já vivem numa situação de "asfixia diária", depois de um início de ano marcado por fenómenos meteorológicos extremos que afetaram a atividade económica.
A CPPME recorda que já em abril tinha emitido alertas conjuntos com associações empresariais e agrícolas para a necessidade de travar a iminente crise económica, sublinhando que a situação atual assume contornos ainda mais preocupantes. A confederação reitera que não é possível exigir às MPME que suportem estes aumentos por tempo indeterminado enquanto continuam com as suas margens e rendimentos "esmagados" pelo agravamento em cadeia das matérias-primas, da energia, dos transportes e dos restantes serviços.
Em resposta ao apelo do Primeiro-Ministro, que pediu compreensão aos portugueses pelo esforço que o Estado está a realizar, a CPPME sublinhou que "o Estado somos todos nós" — trabalhadores, empresários, agricultores e famílias —, avisando que o esforço das pequenas e médias empresas "tem limites" e que as políticas vigentes estão a contribuir para a "destruição do tecido económico nacional". Luís Montenegro indicou que o desconto no imposto sobre os combustíveis já soma "cerca de 700 milhões de euros" em 2026 e admitiu novas medidas se os preços se mantiverem ao nível das últimas quatro semanas.
As sete medidas reclamadas pela CPPME incluem o controlo efetivo do mercado energético com transparência na formação de preços, limites contra a especulação e reforço da inspeção do Estado. Exige ainda apoios financeiros a fundo perdido para empresas e explorações agrícolas mais expostas, alargamento do acesso ao gasóleo profissional a todos os setores de transporte, devolução do aumento da receita do ISP, fim da dupla tributação e redução do IVA sobre combustíveis. A confederação defende também a aceleração da transição energética com reforço de verbas para reduzir a dependência externa e a criação de um programa público de compras conjuntas de fertilizantes para a agricultura.




