O partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) venceu as eleições de domingo (6) no estado federado da Saxónia-Anhalt, com cerca de 44% dos votos, mas ficou sem maioria absoluta no parlamento regional. O resultado representa o melhor desempenho da AfD numa eleição estadual e deixa o partido a três deputados da maioria absoluta, num cenário que poderá dificultar a formação de um governo estável. A participação eleitoral situou-se nos 75,5%.
O candidato da AfD a primeiro-mortar, Ulrich Siegmund, considerou o resultado histórico e afirmou que o partido recebeu um mandato para governar. A co-presidente Alice Weidel manifestou confiança na futura liderança de Siegmund, enquanto Tino Chrupalla apontou para a ambição do partido de assumir responsabilidades governativas a nível federal após as eleições legislativas de 2029. Todas as restantes forças políticas tinham excluído antes das eleições uma coligação com a AfD, que é classificada pelos serviços de informações internos daquele estado como uma formação comprovadamente de extrema-direita.
A União Democrata-Cristã (CDU), do chanceler Friedrich Merz, sofreu uma forte derrota, obtendo cerca de 17% dos votos, contra 37,1% em 2021, quando tinha vencido as eleições estaduais. O primeiro-mortar estadual, Sven Schulze, reconheceu a dimensão da derrota e admitiu que a AfD passou a ser a principal força política no parlamento regional. A derrota constitui igualmente um revés para Friedrich Merz, numa altura em que a AfD procura transformar a crescente implantação no leste alemão numa alternativa de poder a nível nacional.
Entre os cenários possíveis estão uma coligação alargada entre vários partidos ou um governo minoritário. A Aliança Sahra Wagenknecht (BSW), pró-Rússia, ultrapassou por margem reduzida a barreira dos 5% e poderá assumir uma posição decisiva nas negociações. A necessidade de juntar formações ideologicamente distantes, incluindo a CDU e A Esquerda, deverá tornar as negociações particularmente difíceis. O resultado ganha ainda maior significado por nenhum partido de extrema-direita ter chegado ao poder num estado alemão desde o final da Segunda Guerra Mundial, em 1945.




