O encenador português Pedro Sousa Loureiro criou a peça "Avó Magnética", inspirada na sua avó Margarida, que será apresentada no dia 10 de setembro na Sala Valentim de Barros, nos Jardins do Bombarda, em Lisboa, como parte do Festival TODOS. A ideia surgiu durante as aulas de teatro documental no seu mestrado em encenação em Bruxelas, quando decidiu usar a sua "super heroína" familiar como inspiração para um texto teatral.
A peça conta com Pedro e outros atores ao lado das suas próprias avós, representando heroínas dotadas dos superpoderes da compreensão e do acolhimento. O espetáculo questiona se a sociedade atual está a ficar mais conservadora, partindo da experiência pessoal de Pedro: durante os anos em que viveu com a avó Margarida em Sacavém, entre 2016 e 2021, ele passou pelo processo de "coming out" gay, e a avó aceitou-o de forma natural e incondicional, sem necessidade de conversas diretas sobre o assunto.
A avó Margarida, hoje com 89 anos e a viver num lar em Oliveira do Hospital, nasceu em Tibaldinho, Mangualde, e dedicou a vida ao trabalho: primeiro vendeu leite de porta a porta e depois teve uma banca de frutas e verduras na praça da República, em Lisboa. Pedro mantém contacto diário com ela por telefone e mostra-lhe vídeos da peça nas suas visitas ao lar. A atmosfera dos mercados de rua é transportada para o palco, numa produção que interage com o público.
A "Avó Magnética" é a segunda parte de uma trilogia sobre a jornada queer de Pedro, seguindo-se a "Long Summer Dreams" (2024). A peça já foi apresentada no Teatro Ibérico e em Fafe e Ponte do Lima, e a apresentação de dia 10 está esgotada. Pedro, de 36 anos, natural de Coimbra, estudou na Escola Superior de Teatro e Cinema na Amadora e coescreveu a peça com o amigo Miguel Stichini.




