As reservas cambiais do Japão registaram em agosto a maior queda de sempre, segundo dados oficiais hoje divulgados. As reservas situaram-se em 1,21 biliões de dólares (1,04 biliões de euros), uma descida recorde de 79.600 milhões de dólares (68.561 milhões de euros), ou 6,18%, face ao mês anterior. É a maior queda desde o início dos registos comparáveis, em abril de 2000.
A queda, a quarta mensal consecutiva, deveu-se à intervenção cambial através da compra de ienes e venda de dólares realizada no final de julho pelo Governo japonês e pelo Banco do Japão (BoJ), em conjunto com Washington. Os títulos estrangeiros, incluindo obrigações do Tesouro norte-americano, diminuíram 87.773 milhões de dólares, para 839.559 milhões de dólares, enquanto os depósitos recuaram 6.868 milhões de dólares, para 155.417 milhões de dólares.
O Ministério das Finanças japonês confirmou ter utilizado 15,4 biliões de ienes (cerca de 85.000 milhões de euros) numa inesperada intervenção conjunta com Washington no mercado cambial. Esta medida contribuiu para a valorização da moeda japonesa após esta ter atingido mínimos de 40 anos, perto dos 164 ienes por dólar. Apesar da intervenção e num contexto de forte volatilidade, o iene voltou a enfraquecer para perto das 160 unidades por dólar, antes de recuperar no início de setembro para cerca de 155 ienes por dólar.
A recuperação ocorreu após o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, ter instado o Banco do Japão a combater a debilidade da moeda. Vários analistas consideram provável que o Governo japonês tenha vendido obrigações do Tesouro dos Estados Unidos para obter dólares destinados a financiar as operações de compra de ienes.




