O partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) venceu as eleições de domingo na Saxónia-Anhalt, um estado federado oriental da Alemanha, obtendo 44,3% dos votos, um resultado histórico que está a transformar o panorama político do país. Com 97% dos votos contados, a AfD ficou apenas a três deputados da maioria absoluta de 42 mandatos, o que significa que não terá condições para governar sozinho, uma vez que nenhum partido de extrema-direita chegou ao poder na Alemanha desde 1945.
O candidato da AfD ao cargo de primeiro-ministro, Ulrich Siegmund, declarou que "esta é uma noite histórica" e que o partido tem "um mandato para governar". A copresidente Alice Weidel afirmou que "com Uli Siegmund, têm o primeiro-presidente da Alemanha", enquanto Tino Chrupalla indicou que pretendem assumir a responsabilidade de governar na Saxónia-Anhalt e também a nível federal após as eleições gerais de 2029. Nas legislativas federais de 2025, a AfD tornou-se o segundo maior partido a nível nacional.
O candidato da União Democrata-Cristã (CDU), Sven Schulze, mostrou-se dececionado com o resultado do seu partido, que viu a sua votação reduzida para metade, para 17%, em comparação com 2021, reconhecendo que sofreu "um duro golpe". Os Verdes obtiveram cerca de 8,9% dos votos, o Partido A Esquerda ficou com 8,5%, a Aliança Sahra Wagenknecht (BSW) conseguiu 5,2% por uma estreita margem, e o FDP não conseguiu entrar no parlamento regional.
A CDU reiterou que não pode ter conversas sérias com um partido que "tem um problema grave de antissemitismo", enquanto a líder do grupo parlamentar de A Esquerda afirmou que a CDU tem de decidir "de que lado da história está". Com a entrada do BSW no parlamento, a maioria absoluta ficou ainda mais distante para a AfD, mas a CDU, A Esquerda, os Verdes e o SPD também não têm maioria, tornando o BSW potencialmente decisivo. É possível que Ulrich Siegmund seja eleito primeiro-presidente numa terceira votação no parlamento, onde só necessitaria de uma maioria simples.




