Cerca de metade dos alunos que entram no ensino superior em Portugal não conclui a licenciatura no tempo previsto, segundo uma análise da Fundação Francisco Manuel dos Santos. No ensino público, apenas 50% dos estudantes terminam a licenciatura na duração estipulada, enquanto no privado a taxa é de 53%. Mesmo três anos após o prazo esperado, um terço dos alunos continua sem finalizar o curso. Nos mestrados integrados, a situação é ligeiramente melhor, com 55% a concluir no tempo previsto e 73% três anos depois. As taxas de abandono um ano após o ingresso atingiram 30% em 2022/2023 e 2023/2024, sendo mais elevadas em cursos com notas de entrada mais baixas.
O número de novos inscritos em áreas STEM tem crescido de forma significativa. Em dez anos, houve um acréscimo de quase dez mil alunos nestas áreas, representando um aumento de 57%, e a proporção subiu 2,3 pontos percentuais para 28,5% do total de novos ingressos em 2024/2025. Paralelamente, os estudantes estrangeiros no ensino superior quadruplicaram nos últimos 15 anos, passando de 20 mil para 80 mil, com particular crescimento nos mestrados integrados, onde o número aumentou sete vezes. Brasil, Angola, Guiné-Bissau, França e Itália eram os principais países de origem.
No ano letivo de 2024/2025, estavam inscritos no sistema educativo português mais de dois milhões de alunos, um crescimento de 30% face a uma década atrás. Este aumento deve-se sobretudo ao crescimento populacional relacionado com a imigração, compensando a quebra de alunos no pré-escolar e no ensino secundário. No que diz respeito à formação de professores, diplomaram-se 9.466 novos professores entre 2021 e 2025, mas este número continua abaixo das cerca de três mil aposentações anuais previstas. Nas disciplinas de Física e Química, o número de diplomados caiu drasticamente de 703 para apenas 32 entre os períodos de 2006-2010 e 2016-2020, embora já se registem sinais de inversão desta tendência.




