A recente subida dos preços dos combustíveis em Cabo Verde está a afetar significativamente os rendimentos das famílias, com pescadores e condutores a suportar custos mais elevados e a reduzir as suas atividades. Carlos Gilberto, pescador de 52 anos, refere que o preço de uma tonelada de gasóleo passou de 70 mil escudos para 100 mil escudos, o que reduz drasticamente os ganhos de cada viagem ao mar. Euclides Dias, armador de duas embarcações, afirma que passou de três idas ao mar por semana para apenas uma, enquanto o preço do peixe se mantém inalterado.
Os condutores de transporte coletivo e táxis também enfrentam grandes dificuldades. João Correia, que conduz há 33 anos na rota entre a Praia e São Domingos, viu a despesa diária com combustível subir de cerca de 2.000 escudos para 3.000 escudos. Hélio Carvalho, taxista, admite que terá de aumentar o preço das viagens em breve. Na bomba de combustível, Evilise Melo observa que há uma queda no movimento e que os condutores estão a colocar menos combustível do que antes.
As famílias mais vulneráveis são as mais afetadas. Liliana Lopes, mãe de quatro filhos, gasta cerca de 10 mil escudos mensais em deslocações, o que representa uma grande parte do salário mínimo nacional de 17 mil escudos. Artemisa Ferreira, comerciante que viaja do interior para vender no mercado da capital, reduziu as viagens de quatro para apenas uma por mês e passou a pagar aos motoristas para transportarem as suas mercadorias.
O aumento resulta do ajuste definido pela Autoridade Reguladora Multissectorial da Economia, que fixou um aumento médio de 4,51% nos preços máximos dos combustíveis desde 01 de setembro. A Associação para a Defesa do Consumidor alertou para os efeitos nos transportes, eletricidade e preços alimentares. O Governo anunciou a manutenção de descontos nas tarifas de eletricidade até ao final do ano, mas remeteu para mais tarde esclarecimentos sobre eventuais novas medidas de apoio aos setores afetados.




