Paulo trabalhou 17 anos como camionista mas foi obrigado a aceitar a reforma aos 47: “Foi como se me tivessem tirado o chão”Foto de Pexels no Pexels
Faro

Paulo trabalhou 17 anos como camionista mas foi obrigado a aceitar a reforma aos 47: “Foi como se me tivessem tirado o chão”

Postal do Algarve6 de setembro de 2026 às 16:00

Paulo Clemente, natural de Vila Real e residente no Luxemburgo desde os dois anos, trabalhou durante 17 anos como motorista de camião, uma profissão que descreveu como o seu trabalho de sonho. Aos 37 anos começou a sentir as primeiras dificuldades, como dificuldade em subir escadas, especialmente quando levava o filho ao colo. Após cerca de cinco anos de consultas médicas sem respostas definitivas, uma avaliação no Hospital de Estrasburgo, em França, apontou para uma distrofia muscular da cintura, uma doença muscular rara caracterizada por fraqueza progressiva nos músculos próximos da bacia e dos ombros.

Apesar do agravamento da doença, Paulo tentou esconder a condição para evitar uma reforma precoce, conseguindo manter a situação em segredo durante cerca de um ano quando entrou numa nova empresa. No entanto, acabou por sofrer três quedas no trabalho e, após a última ser presenciada por colegas, foi inúmerado para o médico do trabalho, que o considerou inapto para conduzir. Deixou os camiões com grande dificuldade e tentou outras funções, incluindo trabalho de escritório numa empresa de transportes, mas ao fim de três meses uma nova avaliação médica concluiu que já não conseguia trabalhar oito horas por dia.

Aos 47 anos, sem conseguir encontrar uma alternativa que lhe permitisse continuar ativo, Paulo viu terminar a sua vida profissional e passou a receber uma pensão de invalidez. Esta prestação, atribuída no Luxemburgo a pessoas com menos de 65 anos que tenham perdido capacidade para exercer uma atividade adequada às suas aptidões, provocou uma redução significativa nos seus rendimentos, passando de um ordenado acima do salário social mínimo qualificado para um montante inferior. Recebe ainda um apoio adicional de 150 euros associado à natureza genética da doença. Após o divórcio, regressou a casa dos pais em Larochette, mantendo encargos com uma habitação que comprou na região de Torres Vedras.