Vinte anos depois do maior incêndio registado no distrito de Évora, as chamas regressaram à Serra d'Ossa, a extensa mancha florestal conhecida como o "pulmão do Alentejo" que une os concelhos de Estremoz, Redondo, Borba e Vila Viçosa. O incêndio, которое вспыхнуло durante a noite de sábado, foi controlado durante a madrugada e dado como circunscrito na manhã de domingo, 6 de setembro, entrando em fase de resolução. Mais de 280 operacionais e cerca de uma centena de meios terrestres foram mobilizados, incluindo bombeiros de várias corporações do Alentejo, a GNR e a Força Especial de Proteção Civil, além de reforços dos distritos de Lisboa e Castelo Branco.
O fogo desenvolveu três frentes ativas, alimentado por vegetação de mato e pinhal, e a sua progressão foi travada antes de alcançar dimensões catastróficas. Equipas permanecem no terreno dedicadas aos trabalhos de rescaldo e vigilância, perante as temperaturas elevadas e o risco de reacendimentos.
Em agosto de 2006, um incêndio começou às 11h05 de dia 7, num eucaliptal na zona de Vale do Infante, no município de Estremoz, e avançou pela serra atingindo áreas dos concelhos de Estremoz, Redondo, Borba e Alandroal. Ao longo de vários dias, o fogo ameaçou povoações, obrigou à retirada de moradores de montes isolados e aproximou-se da Aldeia da Serra e do Convento de São Paulo. O balanço final revelou 4.779 hectares de floresta consumidos, dois montes desabitados destruídos e sete bombeiros feridos. Mais de metade da área destruída pertencia ao Grupo Portucel Soporcel.
Após duas décadas de recuperação lenta da paisagem, o regresso do fogo traz de volta memórias que o Alentejo não esqueceu. Com o incêndio agora circunscrito, começa o tempo de vigiar, avaliar os danos e cuidar daquilo que ficou ferido nesta serra que é floresta, biodiversidade, memória e identidade para as populações da região.




