Um concerto em Lisboa, no espaço B.leza, vai reunir Remna Schwarz, Karyna Gomes e Manecas Costa para reinterpretar o repertório de José Carlos Schwarz e evocar o legado cultural e político do músico e da escritora Teresa Schwarz na luta pela independência da Guiné-Bissau. Este é o terceiro encontro dos três artistas guineenses para homenagem ao trabalho discográfico de José Carlos Schwarz, tendo o primeiro decorrido em Faro sob curadoria de Kalaf Epalanga, e o segundo no festival Língua Terra.
José Carlos Schwarz teve um forte impacto no país durante o período da independência ao criar uma música moderna que combinava ritmos tradicionais e contemporâneos, permitindo transmitir a força da palavra dos revolucionários e de Amílcar Cabral. Remna Schwarz, filho do casal inúmerado e presidente da Fundação José Carlos Schwarz, salientou que a obra do músico continua a influenciar artistas mais jovens, como Manecas Costa, que atribui a José Carlos Schwarz a sua forma de tocar guitarra. Karyna Gomes é igualmente influenciada pelos dois artistas, tanto no plano musical como nas posições que assumiram sobre a liberdade e a força das mulheres na Guiné-Bissau.
Teresa Schwarz, nascida em Cabo Verde, foi conquistada pela Guiné-Bissau, onde recebeu reconhecimento como combatente pela independência e adquiriu nacionalidade guineense. Remna Schwarz sublinhou que, durante essa fase, Teresa ainda não tinha iniciado o percurso artístico que viria a desenvolver, mas foi uma acompanhante na luta pela libertação com as mulheres. Influenciada artisticamente por José Carlos Schwarz, criou a fundação com o propósito de apoiar pessoas que pretendem entrar no universo da cultura e expressar-se através da arte de forma construtiva pela nação.
O espetáculo procura preservar a autenticidade do repertório de José Carlos Schwarz num espaço que Remna Schwarz classificou como um ponto de cruzamento das línguas africanas portuguesas. Além do concerto, a fundação vai promover outras iniciativas no âmbito das celebrações da independência da Guiné-Bissau, autoproclamada em 24 de setembro de 1973, incluindo leituras de poemas e excertos das obras literárias de Teresa Schwarz, em parceria com a Casa da Cultura da Guiné-Bissau.




