O Governo de Madrid assumiu este fim-de-semana o controlo directo de uma área do Porto de Ceuta através de um despacho ministerial extraordinário, determinando a ocupação de 16 mil metros quadrados de domínio público portuário. A decisão, assinada pelo ministro dos Transportes e Mobilidade Sustentável espanhol, Óscar Puente, visa a instalação imediata de tendas para acolhimento temporário de mais de mil migrantes no molhe de Poniente do enclave espanhol no norte de África.
A intervenção estatal surge após a recusa da administração portuária local, gerida pelas autoridades da cidade autónoma, que emitiu um voto desfavorável na sexta-feira considerando a cedência «incompatível com a exploração normal do porto». A recusa baseou-se num relatório técnico da entidade estatal Portos do Estado que alertava para riscos associados à protecção de infra-estruturas críticas e à operação portuária.
O despacho ministerial justifica a avocação de competências com «a excepcionalidade da situação em Ceuta», em resposta a um requerimento da Secretaria de Estado das Migrações. As novas instalações, de natureza estritamente provisória, incluem camaratas de descanso, postos de enfermaria e farmácia, áreas de apoio social, blocos sanitários, gabinetes administrativos e um posto reservado às forças de segurança.
A pressão sobre Ceuta intensificou-se após as entradas maciças de finais de Julho, quando mais de 70 mil pessoas tentaram cruzar a fronteira ou contornar os espigões marítimos a nado. Embora mais de 90 por cento tenham abandonado o território nas horas seguintes, permanecem na cidade pelo menos cinco mil migrantes, centenas sem abrigo formal. Na quinta-feira, grupos de residentes voltaram a protestar contra os centros provisórios, e o primeiro-ministro Pedro Sánchez classificou as entradas como agressão territorial, apontando a responsabilidade a redes de tráfico que exploraram desinformação nas redes sociais.




