Delegados da Polícia Federal brasileira pediram ao procurador-geral Paulo Gonet que se afaste de uma investigação sobre um relatório policial no qual o seu nome é mencionado. O documento, elaborado por ordem do juiz do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, reúne mensagens encontradas no telemóvel de Daniel Vorcaro, ex-proprietário do extinto Banco Master, e contém 52 mensagens enviadas por Vorcaro ao juiz Alexandre de Moraes, do STF. O nome de Gonet também aparece no relatório.
O procurador-geral ordenou uma investigação para determinar se houve interferências externas na elaboração do documento, que revelou uma extensa lista de contactos de Vorcaro com altas autoridades, incluindo negócios milionários e ofertas de experiências de luxo a Moraes. A Associação Nacional de Delegados da Polícia Federal rejeitou a medida e sustentou que os investigadores limitaram-se a cumprir uma ordem judicial, sem margem para decidir ou questionar as instruções recebidas.
A divulgação das mensagens provocou uma crise no STF devido às acusações mútuas entre os juízes Mendonça e Moraes. Após Mendonça ter levantado o sigilo e tornado públicas as investigações, Moraes contra-atacou solicitando que Mendonça fosse investigado por "fortes indícios" de abuso de autoridade. O presidente do STF, Luiz Edson Fachin, abriu um processo separado para investigar "supostas irregularidades nas investigações da Polícia Federal" e concedeu cinco dias úteis para explicações.
A ADPF, que representa mais de 2.300 delegados, pediu o arquivamento do processo instaurado por Gonet e solicitou que todos os factos sejam investigados "em toda a sua extensão, sem seletividade quanto às autoridades envolvidas". A associação lembrou que o controlo externo da atividade policial não estabelece uma relação hierárquica nem confere ao Ministério Público poder disciplinar sobre os delegados e agentes.




