Em Angola, organizações da sociedade civil manifestam publicamente a sua desconfiança em relação ao Registo Eleitoral Oficioso, acusando o governo de opacidade pela recusa em divulgar detalhes sobre o tratamento de dados de óbito e o processo de recenseamento. O grupo teme que os chamados "votos fantasmas" e os votos de pessoas já falecidas voltem a marcar as eleições previstas para o próximo ano, tal como terá acontecido em processos eleitorais anteriores.
Luaty Beirão, do Movimento Cívico Mudei, criticou em Luanda a falta de transparência na gestão do processo que visa cadastrar mais de 16 milhões de angolanos até março de 2027. O ativista revelou que, nas últimas duas eleições, nem ele nem o seu pai se recensearam, mas ambos constavam nos cadernos eleitorais. Beirão lembrou que, quando a CNE-MAT disponibilizou uma ferramenta para verificação dos cadernos, muitos cidadãos testaram inserir dados de familiares falecidos, tendo todos permanecido nos registos.
Teixeira Cândido, jornalista e advogado, questionou a recusa do governo em prestar informações, salientando que a lei não classifica este processo como segredo de Estado. O causídico defendeu que, se não há nada a esconder, os cidadãos que solicitam informações sobre a base de dados deveriam ter acesso às mesmas, e criticou a ausência de explicações sobre como foi obtido o número de 16 milhões de cidadãos e quantos mortos foram efetivamente removidos dos cadernos.
Segundo dados avançados pelo governo, mais de um milhão de cidadãos maiores de idade já atualizaram os seus dados no âmbito do Registo Eleitoral Oficioso em Angola.




