O secretary-general do PSD e líder da bancada parlamentar social-democrata, Hugo Soares, criticou duramente a moção de censura apresentada pelo Chega ao XXV Governo Constitucional, classificando o documento como "completamente deslocado da realidade". À margem da festa de rentrée política do PSD em Ponte de Lima, o dirigente acusou André Ventura de procurar apenas o "centro do debate político" e a exposição constante nas televisões, sugerindo que a estratégia do partido de extrema-direita visa desviar a atenção dos resultados económicos positivos e colocar o país a falar "daquilo que verdadeiramente não interessa".
Para fundamentar a posição do executivo liderado por Luís Montenegro, Hugo Soares destacou a recente subida da nota da dívida pública portuguesa pela agência de rating Fitch — de "A" para "A+" com perspetiva estável —, sublinhando tratar-se de um marco financeiro que o país não atingia há cerca de 25 anos. A avaliação da agência refletiu a melhoria e o reforço das finanças públicas nacionais, apontando para uma trajetória sustentável de redução da dívida e para saldos orçamentais mais sólidos do que a média dos pares europeus, justificando a decisão com o compromisso político contínuo do Governo em relação à prudência orçamental.
Hugo Soares afirmou ainda que "com os salários a aumentarem, os impostos a descerem sucessivamente, o emprego em níveis máximos históricos e o desemprego em mínimos históricos", a moção de censura é completamente deslocada da realidade. O líder parlamentar social-democrata assegurou que o PSD continuará focado em "encontrar soluções para os problemas que afetam a vida das pessoas".
A iniciativa do Chega surge como a primeira moção de censura enfrentada pelo XXV Governo Constitucional e a terceira a executivos PSD/CDS-PP chefiados por Luís Montenegro. A motivação central expressa pelo partido de André Ventura visa responsabilizar diretamente o Primeiro-Ministro pela manutenção do ministro da Administração Interna no cargo. Apesar da iniciativa, o documento tem o seu chumbo antecipado, uma vez que a aprovação exigiria a maioria absoluta dos deputados, hipótese categoricamente inviabilizada pelas posições já assumidas pelo PS e pela Iniciativa Liberal.




