Uma petição pública reunia já 2346 assinaturas contra a possibilidade de redução das horas de consulta do médico oncologista Rui Dinis no Hospital Dr. José Maria Grande, em Portalegre. A iniciativa, lançada a 3 de setembro e dirigida ao Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde do Alto Alentejo (ULSAALE), defende a manutenção da capacidade de acompanhamento dos doentes oncológicos e reclama transparência e diálogo com a comunidade antes de qualquer alteração à organização do serviço. Rui Dinis exerce funções em Portalegre há cerca de 16 anos e a relação de proximidade com os doentes é destacada pelos próprios pacientes e familiares.
Os subscritores alertam que uma eventual redução da atividade assistencial poderá resultar no aumento dos tempos de espera, na perda de continuidade para doentes já em acompanhamento e num eventual risco de incumprimento dos tempos máximos de resposta garantidos, nomeadamente no âmbito da Via Verde Oncológica. Os peticionários sublinham que o Alto Alentejo é uma região do interior onde muitos doentes já enfrentam deslocações significativas para aceder a cuidados diferenciados, pelo que qualquer diminuição da capacidade de resposta local pode agravar as desigualdades no acesso à saúde.
A contestação ultrapassou o universo dos utentes e chegou à esfera política, com o Partido Socialista a nível distrital a manifestar preocupação e diferentes partidos a levarem o assunto à Assembleia da República. Perante a contestação, a ULSAALE rejeitou a existência de cortes, afirmando que não está prevista qualquer redução na resposta assistencial da Unidade de Oncologia e que estão em curso medidas de reforço e desenvolvimento do serviço, incluindo recursos humanos diferenciados e melhorias nas infraestruturas.
A petição apresenta quatro exigências principais à ULSAALE: não reduzir as horas de consulta do Dr. Rui Dinis, manter e reforçar a capacidade de resposta em Oncologia, garantir transparência e diálogo com a comunidade sempre que estejam em causa alterações na organização dos cuidados de saúde, e fornecer uma resposta escrita e fundamentada da administração no prazo de 30 dias. A reorganização da Oncologia de Portalegre permanece sob o olhar atento de doentes, famílias, profissionais de saúde e forças políticas da região.




