O Governo espanhol aprovou um decreto para tomar o controlo do porto de Ceuta e autorizar a instalação de tendas para alojar temporariamente mais de mil migrantes na zona do molhe de Poniente. O decreto, assinado pelo ministro dos Transportes e Sustentabilidade, Óscar Puente, permite a instalação de tendas numa superfície de 16 mil metros quadrados de área pública portuária.
A decisão surge após o conselho de administração da Autoridade Portuária de Ceuta ter votado contra a instalação das tendas, considerando que seria incompatível com a exploração normal do porto e poderia incrementar riscos associados à proteção de infraestruturas críticas e à operação portuária. O caso foi passado para os Portos do Estado, que elaborou um relatório negativo, mas o Ministério dos Transportes decidiu, mesmo assim, atender à solicitação da Secretaria de Estado das Migrações.
As tendas destinam-se a zona de descanso, enfermaria, farmácia, áreas de apoio social, serviços sanitários, escritórios para pessoal e uma barraca para pessoal de segurança. O ministério justificou a decisão com a excecionalidade da situação em Ceuta, referindo que a zona em causa já se encontra aberta à cidade.
Na quinta-feira, centenas de residentes de Ceuta protestaram nas ruas contra os centros de detenção para migrantes que o governo espanhol está a preparar como passo preliminar para a sua expulsão, manifestando-se contra a localização do novo centro junto a dois núcleos residenciais. Recorde-se que mais de 70 mil pessoas entraram ilegalmente em Ceuta entre 30 e 31 de julho, numa situação que o primeiro-ministro Pedro Sánchez qualificou como violação da integridade territorial de Espanha, responsabilizando máfias de tráfico de seres humanos. Mais de 90% dessas pessoas saíram nas horas seguintes, mas pelo menos 5 mil permanecem na cidade, milhares nas ruas. Sánchez considerou ainda que Israel e Russia terão estado envolvidos na amplificação de desinformação nas redes sociais sobre o incidente.




