A cobertura de utentes com médico de família em Portugal vai manter-se estagnada até 2028, com cerca de 15% dos utentes do Serviço Nacional de Saúde a continuarem sem acesso a médico de família, segundo o Quadro Global de Referência do SNS para o triénio 2026-2028. A percentagem de cobertura fixar-se-á nos 85,37%, o mesmo valor registado em 2024, apesar de o objetivo inicial do Executivo ter sido atribuir médico de família a 98% dos utentes até 2026.
O documento foi publicado com nove meses de atraso, e tanto a ministra da Saúde como o diretor executivo do SNS já tinham alertado que não seria possível garantir médico de família a todos os utentes até 2027, devido ao número crescente de novos inscritos no sistema.
Apesar das iniciativas em curso com o setor privado, incluindo as unidades de saúde familiar modelo C e as convenções, e da revisão do número de inscritos nos centros de saúde — que reduziu para 1,37 milhões o número de utentes sem médico —, a taxa de população descoberta mantém-se inalterada. A Ordem dos Médicos criticou a situação, referindo-se a ela como a "continuidade de serviços mínimos no SNS".



